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Peregrinando al encuentro de si Mismo – Guy Veloso

Em português neste link

 

PEREGRINANDO AL ENCUENTRO DE SI MISMO

 

Guy Veloso

Escritor y fotógrafo (autor de Via Láctea – Pelos Caminos de Santiago de Compostela).

Texto registrado el la Biblioteca Nacional.  www.guyveloso.com

 

Fue en el año 1993, tenía 23 años y -como todos decían- “una vida entera por delante”. Recién terminada mi carrera de Derecho y antes de ejercer la profesión, deseaba vivir una gran aventura: imitar los pasos de los peregrinos medievales cruzando a pie España de punta a punta hasta la ciudad de Santiago de Compostela, donde se cree está sepultado Santiago uno de los doce apóstoles de Jesús. Era un viaje misterioso de 800 kilómetros que duraría poco más de un mes. Sería un tiempo para pensar en aquella “vida entera” que estaba por venir  ya terminada la universidad.

Comencé con pasos torpes en una mañana lluviosa desde una pequeña ciudad francesa, Saint-Jean-Pied-de-Port, bien cerca de la frontera con España. Era bastante radical para mi edad: debía terminar el trayecto, siempre caminando, a partir de los Pirineos franceses y sin ceder nunca a la tentación de que alguien me llevará. Llegar al final en aquellos momentos era una cuestión de honor, casi una obsesión, pero también, un premio, un trofeo.

Tardé unos días en adaptarme a la rutina. Recuerdo caminar el día entero a una media de 25 kilómetros por día. Pasar por decenas de pueblos perdidos en el tiempo, con sus  magníficos monumentos, catedrales y castillos. En la mochila, llevaba siempre una cantimplora con agua y algunas frutas, cuyas semillas lanzaba a los lados del camino. Imaginaba que algún día, allí podría crecer un manzano, un naranjo o una vid, quién sabe. Soñaba que en el futuro, el árbol que creciera, podría alimentar a otro peregrino de paso por este mismo camino.

Dormía en albergues especiales esparcidos por toda la ruta. Otras veces me hospedaba en monasterios y colegios católicos. Eran locales sencillos, inclusive rústicos, pero con todo lo que alguien con hambre y extremadamente cansado puede necesitar para transformar aquel lugar en el Palacio del Marajá de Jodhpour. No existía división de clases ni nacionalidades. Todos teníamos los mismos objetivos, pasábamos por los mismos dolores, ampollas, tendinitis, cansancio y ansiedad

En el Camino de Santiago, nos encontramos con nuestros horizontes pero también con nuestras fronteras. Descubrimos pequeñas cosas que no notamos en nuestra vida cotidiana. Vemos el valor de un vaso de agua por haber pasado sed o de un pedazo de pan por haber pasado hambre. El valor de una sonrisa, de una palabra de ánimo. En él nos encontramos con nuestros miedos y vanidades. Es una experiencia donde nos perdemos para encontramos.

Entré en la ciudad de Santiago un martes a las 11:15 del 13 de julio del año 1993. Me acuerdo como si fuera hoy de mi júbilo al ver, por primera vez, las torres de piedra de la inmensa Catedral, donde el trayecto termina. Durante mis últimos pasos en el Camino de Santiago, me di cuenta que lo mejor ya había pasado. “Que llegar” era apenas un detalle. Que el camino que  quedo atrás –junto con sus experiencias- era el verdadero trofeo, aquel que  guardaré para el resto de mi vida.

Desde entonces hasta hoy en día, intente aprovechar esta experiencia personal para el futuro, y  así como escribí estas líneas, como los centenares de fotos que tome,  como las semillas que lancé al camino, quien sabe, germinarán, crecerán y un día alimentarán a otro peregrino que -como yo- cruzo aquellos campos mágicos. En cualquier caso habrá valido la pena. Y mucho.

 

Guy Veloso és fotógrafo y escritor.

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Crônicas do Caminho. Por Guy Veloso

ANJOS

 

Guy Veloso

(c) Texto registrado na biblioteca Nacional. Direitos reservados.

 

IMAGINE UM POVOADO de apenas duas ruas, quarenta casas e um anjo. A vila se chama Azofra e o ser angélico, Maria Tobia. Bem, anjos naquele lugar não era nada muito raro, afinal, a padroeira da povoação é Nossa Senhora dos Anjos. Talvez por isso ventasse tanto ali, a ponto de levantar nuvens de poeira e folhas secas de outono. Muita gente batendo as asas…

Maria Tobia é a responsável pelo albergue de peregrinos, figura muito querida e famosa por seu jeito simples e sincero no trato para com os forasteiros. Ela havia acabado de limpar a estalagem quando eu fui atirado, como que carregado pela ventania, porta à dentro. Ah, antes disto, preciso dizer que logo na entrada do vilarejo, perguntei a uma senhora em qual das duas (únicas) ruas ficava o albergue. Ao invés de responder, ela largou seus afazeres e me levou até a porta da estalagem quase no fim do povoado. Anjos…

Bem, voltando a Dona Maria, mesmo cansada, ela me ofereceu estadia e me deu um cacho de uvas frescas tirado do altar. Sim, o altar de Santa Maria dos Anjos (que ficava colada ao albergue) estava adornado naquele dia com “uvas bentas”. Era o segundo dia das festividades anuais do vilarejo e um pouco da decoração da igreja estava servindo de lanche aos andarilhos.

Mais tarde, fui pegar mais bênçãos (uvas) com Dona Maria, aproveitando para lhe perguntar se necessitava de alguma ajuda. De pronto, ela me mostrou três andores de madeira postos no chão com três imensas imagens barrocas, que tinham sido levadas naquela manhã em cortejo pela aldeia. “Brasileiro, preciso que você as ponha de volta no altar, pois haverá missa solene amanhã com todo o vilarejo reunido”, disse ela. E as imagens eram quase da minha altura…

Chamei os amigos e, acreditem, os brasileiros (eu, Zel, Adelmo e Marcelo) montamos o altar da Igreja de Santa Maria dos Anjos de Azofra. Colocamos cada santo em seu lugar. Cada jarro com flores, cada círio, cada cacho de uva — estas, herança de celebrações pagãs de chegada da colheita, acredito.

Inclusive, posicionamos a Nossa Senhora dos Anjos em seu nicho, cinco metros acima do nível do chão (juro! O Zel tem as fotos para provar). Só com a força de nossas mãos — e ajuda dos anjos. Tudo sob o olhar entusiasmado e confiante de Dona Maria Tobia, que, em momento algum (ao contrário de nós) achou que despencaríamos do altar junto com os santos barrocos do século XVIII da única igreja das redondezas.

Dia seguinte, os brasileiros “que montaram o altar” foram a grande novidade da missa festiva. Sim, absolutamente todo o povoado já sabia da história. Na rua, na praça, no bar, pessoas desconhecidas vieram nos cumprimentar e conversar. Em lugares pequenos como aquele, histórias como esta voam. Como os anjos.

 

(Para Zel, Cris, Adelmo, Marcelo, Erick, Claudinéa, Mário, Luciano, Dalva, Dora, Violeta, Valquíria, Fátima e Juliana. Ultreya!).

 

 Guy Veloso é fotógrafo e escritor

http://www.guyveloso.com

 

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O Caminho de Santiago de Compostela hoje

DICAS PARA O MODERNO PEREGRINO

Texto e fotos © Guy Veloso, 1999 (reg. Biblioteca Nacional).

Imagine só: em um mês percorrer a pé mais de 700 quilômetros cruzando toda a Espanha de ponta a ponta! Caminho de Santiago de Compostela, rota medieval de peregrinação com mais de 11 séculos de existência, hoje em dia frequentado por levas de andarilhos brasileiros… Misticismo? Busca religiosa? Também, mas não a regra. Há de tudo: desportistas, turistas, esotéricos, devotos, pessoas de todas as idades e nacionalidades. De uma coisa nenhuma delas escapará: um grande encontro consigo mesmas.

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Puente la Reina. Foto (c) Guy Veloso

Histórias e lendas.

Tudo começa unindo fatos históricos ás lendas. Contam que São Tiago apóstolo de Jesus teria sido sepultado em um pequeno bosque de uma outrora despovoada e longínqua região da Galiza, então província do império romano. Quase 800 anos mais tarde, descoberto por cristãos, esse lugar tornou-se a meta de um dos três itinerários mais conhecidos e percorridos do cristandade (junto com o caminho de Roma e o de Jerusalém). A rota Jacobeba (de jacob, Tiago em latim) teve seu auge nos séculos XI e XII e foi praticamente esquecida a partir do século XVII. Mas, a partir da primeira metade do século xx, o trajeto foi gradativamente “redescoberto’’, criando-se associações para o estudo e preservação do Caminho, como ajuda aos modernos peregrinos.

O caminho hoje.

A cada ano há entre 30 a 50 mil peregrinos percorrendo as rotas que levam a Compostela nas três formas reconhecidas pela igreja e pelas associações de peregrinos como formas autênticas de peregrinação: a pé, de bicicleta ou a cavalo. Embora não haja um ponto de partida definido (muitos europeus saem da porta de sua casa, seja ela onde for), a maioria acabam escolhendo um dos pontos próximos da fronteira francesa, no caso, Saint-Jean-Pied-de-Port ou Roncesvalles, pela rota navarra, ou Somport, pela rota aragonesa (vide mapa). Ambos os trajetos encontram-se pouco depois na cidade espanhola de Puente la Reina, formando um só caminho até a cidade de Santiago.

O Brasil não escapou desta onde: com o lançamento, no inicio da década de 90, do livro “O Diário de Um Mago’’, em que Paulo Coelho conta suas andanças no caminho, a rota Jacobeba tornou conhecida no país. Pouco a pouco, cada vez mais brasileiros viviam esta intensa e misteriosa viagem pelos bosques, montes e campos espanhóis, o que levou a ser criada por Danilo Tiisel, em 1995, a Associação de Confrades e Amigos do Caminho de Santiago de Compostela – Brasil, com sede em são Paulo, a primeira entidade do gênero na América Latina. Esta organização, reconhecida oficialmente pelo governo da Galiza (Galícia em espanhol), palestras semanais, encontros periódicos e caminhadas preparatórias (www.santiago.org.br).

A “Credencial del peregrino’’.

Além deste trabalho voluntario de seus membros, esta entidade fornece gratuitamente a ‘’credencial del peregrino’’, documento oficial das confrarias espanholas que dá direito aos andarilhos de pernoitarem em albergues especiais, igrejas e monastérios ao longo de toda a rota. Nele, há varias lacunas em branco para serem postos carimbos nos lugares em que o peregrino pernoitar. Assim, mais tarde ao chegar em Santiago, o caminhante receberá um belo diploma escrito em latim, coroando sua peregrinação. Para conseguir o ‘’passaporte de peregrino’’, basta entrar em contato com uma das entidades de ajuda aos peregrinos e provar que viajará á Espanha. Mais informações no site de uma delas (www.santiago.org.br).

A melhor época

Usualmente, as melhores épocas do ano para iniciar a jornada são finais de abril até inicio de junho, ou então do meio de setembro até o inicio de outubro (primavera e outono europeus). A fórmula é simples: tentar escapar dos extremos, no caso o inverno (sempre rigoroso para os padrões tropicais e com boa parte dos albergues fechados) e o verão (deveras cálido e com as rotas e albergues sempre lotados).

O quanto levar?

Para quem quer fazer o caminho usufruindo da rede de albergues, não despenderá muitos euros com estadia. As estalagens costumam ser oferecidas aos viajantes com preços módicos, a título de contribuição, que varia entre 3 a 5 euros o pernoite. É claro que quem preferir dormir em pensões e hotéis gastará muito mais de acordo com o nível desejado. Já no item alimentação, a comida servida ao norte da Espanha além de muito boa é barata, haja vista serem grandes produtores de carne, cereais e vinho. Uma refeição completa sai em media a 15 euros (com o vinho incluso). Em muitos locais há o “menu del peregrino”, com preços promocionais para quem apresentar a credencial.

Assim, deixando de rodeios e indo direto ao assunto: embora seja uma decisão pessoal, que varia de acordo com a necessidade de conforto e segurança de cada um, vou arriscar a dar uma quantia para gastos na Espanha: 800 euros (apenas para o Caminho). Lembro que, de qualquer forma, é interessante o moderno peregrino levar um cartão de credito internacional para qualquer eventualidade além de, é claro, um seguro médico internacional. Há até um convênio da Espanha com o Brasil para assistência gratuita nos hospitais públicos (pesquise se achar conveniente). Também, é bom ter em vista que o povo espanhol tende a confirmar uma tradição de séculos em cuidado aos peregrinos, oferecendo até comida em alguns casos aos mais necessitados.

Importante: você terá que levar seu próprio saco de dormir. Outra dica: compre ele de acordo com o clima que você vai pegar na época (há de vários tamanhos). Pesquise!

Os preparativos

O caminho de Santiago começa bem antes da partida dos peregrinos à Espanha. Cuidados são necessários na hora de comprar o equipamento e selecionar a bagagem – afinal, a mochila, e o que estiver dentro dela, estará por longos quilômetros nas costas do andarilho. Por isso, se você pretende fazer essa loucura aventura de percorrer o caminho a pé, leve uma mochila de boa qualidade e seja econômico no peso que carregar dentro dela (nunca mais de 10% do peso de seu corpo). Lembre-se que o caminho de Santiago de Compostela é um exercício de desapego!

Também, um preparação física básica pode lhe ser muito útil. Ao contrário de quem sai diretamente de uma mesa de escritório direto para os montes de Navarra (eu), aquelas que se preparam acabam passando por dificuldades bem menores, principalmente no inicio da viagem, fazendo etapas diárias entre 20 e 25 quilômetros, com jornadas médias de 8 horas diárias, sobrando tempo e disposição para conhecer os monumentos históricos.

Os Albergues

Quem já frequentou albergues da juventude, não terá problemas em acostumar-se a um “refugio de peregrinos” (nome em espanhol). Nos últimos anos, as prefeituras e associações espanholas têm procurado a melhorar as condições físicas dos já existentes, além de construir outros mais. Eles geralmente fecham para a limpeza pela manhã (9h ou 10 h) e abrem pela tarde (16h ou 17 h). Para ficar, basta apresentar a credencial de peregrino a modesta quantia sugerida. As pessoas dormem em beliches de moles com colchão nu, onde o peregrino deve instalar seu saco de dormir.

Não se aceita reservas prévias e é obedecida a ordem de chegada, embora os que caminham a pé tenham (teoricamente) prioridades sobre os ciclistas, mesmo que chegando depois. Os banheiros, assim como os quartos, geralmente divididos por homens e mulheres juntos, tendem a ficar, no final do dia, em estado péssimo de higiene dado a quantidade de pessoas que usaram por todo o dia. Inclusive, é prova de educação do viajante limpar tudo o que sujou, tendo sempre em mente que outro peregrino em seguida usará os recintos da estalagens.

Também, ao acordar, por favor não arrume a mochila dentro do dormitório para não atrapalhar o sono de quem quer sair mais tarde (embora a maioria das pessoas não pratiquem este ato de educação). Porém, é um ato de cordialidade peregrina levar a bagagem toda para a cozinha ou outro lugar e lá colocar a mochila em ordem. Dê o exemplo!

Há várias tradições peregrinas que você irá aprender ao longo da jornada, como desejar sempre BUEN CAMINO a seus companheiros, e dar um HOLA ao encontrar alguém, conhecido ou não, em especial a todas as pessoas nos bares ou nos restaurantes (aqui no Brasil só se cumprimentam quando se conhecem, não é). Isso ocorre em especial nos vilarejos.

Há nos albergues locais para lavar a roupa e na maioria existe também cozinha para os viajantes prepararem sua comida. É comum os peregrinos se cotizarem fazendo um grande banquete, dividindo a comida. Mesmo contando somente com um mínimo de conforto, aqui vai minha opinião: se você fizer o Caminho, procure ficar sempre nos albergues de peregrinos, deixando de lado a tentação de dormir em hotéis. Sim, pois é lá que você conhece o verdadeiro Caminho, convivendo com os andarilhos e compartilhando, desde comida até emoções.

É claro que você pode preferir em algumas poucas cidades pagar uma pensão barata e usufruir da privacidade, o caminho é um território livre.

Outra coisa que o peregrino brasileiro deveria saber, são palavras e pequenas expressões em espanhol a fim de facilitar o dialogo com os colegas de estrada, tanto andarilhos quanto pastores e moradores dos povoados. Embora não seja algo alarmante você falando somente seu “portunhol”, haja visto que as pessoas no caminho se esforçam verdadeiramente para entender umas as outras, acho que estas noções básicas da língua de Cervantes serão de grande valia.

Segurança no Caminho (em especial à mulheres)

Hoje em dia as pessoas estão se preocupando mais com a segurança. O que era antes uma viagem muito tranquila está, infelizmente, um pouco modificado. Já ouvi falar de assédios no Caminho e roubos… mas são casos isolados. A dica é sempre perguntar nos albergues sobre as rotas e prováveis casos recentes. Como nas hospedarias e no próprio Caminho há sempre muita gente, é fácil fazer amizades que poderão ser companheiros de caminhada, diminuindo os riscos. Mas, de modo geral, ainda é uma viagem segura, já que os peregrinos costumam levar pouco dinheiro tradicionalmente e os “espertalhões” preferirem os turistas mais tradicionais.

Seu passaporte, cartão e dinheiro devem ser carregados naquelas bolsinhas que ficam debaixo da roupa. E durma com ela. Ao tomar banho, leve junto.

De onde iniciar o caminho?

Lembrando o conceito de “território livre”, o moderno peregrino tem direito a escolher o ponto de partida de seu caminho. Embora possa perceber algo diferente do apregoado na imprensa sobrea rota, não há um ponto fixo de saída de peregrinos. Ou seja, está errado dizer que para “fazer o caminho inteiro” tem que sair de Saint-Jean-Pied-de-Port ou de Roncesvalles. Hoje em dia, as pessoas adaptam seu caminho ao tempo de férias. Por exemplo, quem possui 32 dias efetivos de caminhada, parte de Saint-Jean, na França (775 quilometros de compostela); 22 dias, faz o caminho desde Burgos (487); 15 dias, desde Astorga (258); 7 dias, desde O Cebreiro (153 quilometros).

É de se ressaltar que apenas receberá a compostelana quem provar pelos carimbos da credencial ter feito ao menos 100 quilometros a pé ou 200 de bicicleta. Minha opinião é que quanto mais distante de Santiago o peregrino sair, mais intensa e rica em experiências será a viagem. Para os amigos, recomendo sempre o povoado de Roncesvalles como meu ponto preferido de partida. Claro que, não havendo essa possibilidade (falta de tempo, por exemplo), a pessoa pode sem problemas fazer a metade ou apenas um terço do roteiro.

Saint-Jean e Roncosvalles

Para chegar a Roncesvalles ou Saint-Jean desde Madri, pode-se pegar avisão, trem ou ônibus até a cidade de Pamplona. De lá, há linhas de ônibus até o povoado de Burguete e, a partir deste ponto, táxi a Roncesvalles ou Saint-Jean.

É claro que para economizar tempo, toma-se taxi desde o aeroporto de Pamplona até um destes povoados, principalmente se for um grupo que dividirá a conta (aproximadamente 160 euros para Saint-Jean e 110 reais para Roncesvalles, aproximadamente). Chegando em Saint-Jean, o motorista deixará o andarilho próximo a parte histórica da cidade (fechada a automóveis), onde há um albergue de peregrinos.

Escolhendo Roncesvalles, deve-se ir direto ao prédio do seminário Mayor de Santa maria, onde é reservado um imenso quarto com beliches, não esquecendo de pela noite acompanhar a missa com uma solene benção dos peregrinos seguindo antigos ritos medievais. Algo fantástico e inesquecível.

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IMPORTANTE: informo com pesar que dois brasileiros (em anos diferentes) morreram durande a travessia dos Montes Pirineus, rota que vai de Saint-Jean-Pied-de-Port até Roncesvalles. Havendo neve, as rotas podem ficar escorregadias e com as indicações de direção apagadas. Informe-se antes!

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Sobre isto, veja este relato: http://www.meucaminhodesantiago.com/mensagem-de-alerta-cruzando-os-pirineus/

Assim, caso você decida iniciar de Saint-Jean (a etapa mais difícil de todas…porém uma das mais bonitas):
1- Saiba que há duas rotas de Saint-Jean até Roncesvalles: uma pelas montanhas (caminho de Napoleão), outra pelo asfalto (Rota de Vancarlos) – com carros passando ao lado. Pesquise.
2- Pergunte em Saint-Jean sobre o clima e se há neve cobrindo as rotas do caminho de Napoleão, que vai pelas montanhas, o trajeto mais usado pelos peregrinos.
Caso impossível ou arriscado trafegar nesta rota, vá de ônibos ou táxi até Roncesvalles. Ou pegue a rota que vai pelo asfalto (Rute de Vancarlos). Eu não conheço o trajeto de Vancarlos – informe-se também.
2- Começe cedo, ao raiar do dia (ou um pouco antes). Compre comida na véspera e saia alimentado, com algo na mochila (chocolates, pão etc), mas nada pesado.

A Rota Aragonesa

Já para os que desejam aventura e solidão, há também um outro itinerário possível, a não menos tradicional rota Aragonesa que passa por Somport na fronteira franco-espanhola, mais ao sul, e que se une com o primeiro trajeto na cidade de Puente la Reina, 200 quilômetros depois. É uma rota mais difícil, com poucos lugares dotados de albergues e longas distancias entre os povoados. Também mais rústica, longa e solitária que o trajeto anterior. Os peregrinos que elegerem este traçado devem seguir as instruções anteriores até a cidade de Pamplona. De lá, podem pegar um ônibus até o povoado de Jaca e 29 km de táxi até a fronteira (uns 60 euros). Lembro que Somport não é cidade, e sim um mero ponto geográfico com apenas um monumento e aduana desativada separando os dois países, sem, portanto, possibilidade garantida de albergar-se ou comprar mantimentos. Há nas cercanias um refúgio de caçadores bem rústico que pode ser usado por peregrinos, mas não faz parte da rede oficial de albergues, podendo este ficar fechado boa parte do ano.

Assim, chegando em Somport, o peregrino deve saltar do taxi e inicias imediatamente a rota, tendo o povoado seguinte dotado de certa infra-estrutura só 7km depois, em Confranc Estacion. Do mesmo modo que os destinos anteriores, dá para economizar tempo indo direto de táxi de Pamplona a Somport ou até o povoado de Jaca (pernoitando no albergue e tomando bem cedo o táxi até a fronteira).

Por que ir?

Ninguém precisa de motivos específicos para fazer o caminho. A grande maioria das pessoas descobre suas razões ao percorrer a rota. Como dizia o poeta espanhol Antônio machado, “caminhante, são suas pegadas o caminho, se faz o caminho ao andar”. Não há, portanto prazos, limitações, guias turísticos, pontos fixos de partida ou chegada. Não é necessário ser jovem ou atleta para ser um peregrino.

Vi pessoas de todas as idades, desde crianças acompanhadas dos pais, até um senhor basco de 82 anos. Conheci também um holandês cego e pessoas que caminham sem dinheiro, mendigando por comida. Segundo Danilo Tiisel, fundador da primeira Associação de Amigos do Caminho no Brasil: “Você caminha o quanto seu corpo aceitar; come, descansa e dorme onde a fome ou à noite o encontrarem. Com prudência, você será seu próprio guia”.

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BOM CAMINHO!

Levem abraço meu ao Apósto São Tiago e uma oração.

Guy Veloso

http://www.guyveloso.com

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Dicas (albergues)

Minhas dicas especiais (os albergues).

caminho santiago

Texto e fotos © Guy Veloso, 1999 (reg. Biblioteca Nacional).

Há entre a longa rede de estalagens do Caminho uns que se destacam pela sua
singularidade ou pela atenção dispensada aos peregrinos.

Abaixo, enumero os meus preferidos. Se você vier a fazer o Caminho de verdade, com intenção maior de “busca”, não meramente com intuito turístico, não deixe de hospedar-se neles (chamados “Refúgios”), mesmo que alguém lhe sugira uma outra hospedaria quiçá mais confortável… mesmo se o Hilton começar a dar estadia grátis aos andarilhos!

Aqui a minha lista:

Roncesvalles: O que vale a pena mesmo é a bênção de partida aos peregrinos
no final da tarde (verifique horário).

 

Eunate: Na mais enigmática igreja do Caminho, há um albergue ao lado. Eles fazem visitas ao templo com velas…

 

Viloria de La Rioja: Albergue brasileiro no Caminho. Mandem por favor um abraço meu para o Acácio (que vai lhe dar todas as dicas mais recentes do Caminho). http://refugioacacioorietta.blogspot.com/2007_06_13_archive.html

https://www.facebook.com/pages/Refugio-Acacio-Orietta/238619009515034?fref=ts


Grañón:
você dorme dentro da igreja. Participe depois do jantar (gratuito, por sinal) de um singelo ritual junto com o pároco e os outros peregrinos.

Castrojeriz: Mesmo não sendo uma hospedaria, conheça o bar/restaurante “La Taberna”, de Toño e María Jesus, amigos dos brasileiros. Mande um abraço meu ao casal!

San Nicolas de Pontefítero: Aberto somente alguns meses do ano (geralmente no verão). Refúgio da Ordem de Malta. Os peregrinos são convidados a participar de antigos rituais. Imperdível!

Molinaseca: o povoado é belíssimo e seu albergue cuidado por Alfredo, um
amigo dos brasileiros. Vida noturna agitada por mais de 50 bares na rua
principal da vila. Mande um abraço meu para o Alfredo.

Entre Santibánez a San Justo de La Veja (antes de Astorga), há este albergue (link) que não conheci, porém tenho referências.

Manjarín: Você tem que conhecer Tomás, o Templário. Às vezes há um (incrível) ritual de manhã, exatamente ao meio dia – mas no horário de Jerusalém.

Villafranca del Bierzo: Albergue particular Ave Fênix, de Jesus Jato. Este
homem há mais de 40 anos atende aos peregrinos em sua própria casa. Pela noite, o famoso ritual da queimada. Imperdível.

O Cebreiro: Não deixe de pernoitar neste povoado mágico. Conheça a igreja
que há séculos guarda um milagre. Se quiser aventura, no imenso e novo
albergue da vila pergunte pela Palloza, antiga vivenda de pedra de origem
celta, habilitada como refúgio nos períodos de alta estação. Lá, você dorme
no chão em cima da palha, velado de perto pelos antigos mestres que
habitavam aquelas terras.

BOM CAMINHO!

Leve um abraço meu ao Apóstolo Santiago. Guy

 

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Cruz de Ferro, Monte Irago (León).

CaminhodeSantiago

Foto Guy Veloso. Cruz de Ferro, Monte Irago (León). 

http://www.guyveloso.com

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